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Infertilidade idiopática: o que é e como pode ser tratada?

Out 15, 2026
5minutos

Estão a tentar engravidar há algum tempo e os exames realizados não identificaram uma causa que explique a dificuldade em conseguir uma gravidez? Nestes casos, pode estar perante uma situação de infertilidade inexplicada, também conhecida como infertilidade idiopática.

Embora possa ser frustrante não existir uma explicação concreta, este diagnóstico não significa que uma gravidez seja impossível. Existem diferentes opções de acompanhamento e tratamento, que devem ser escolhidas de acordo com a idade, duração da infertilidade, antecedentes e características de cada casal.

O que vai encontrar neste artigo?


Estão a tentar engravidar há bastante tempo? Já realizaram os exames de primeira linha, que não revelaram qualquer alteração, mas o teste de gravidez continua a dar negativo? Se receberam o diagnóstico de infertilidade idiopática, explicamos quais são as opções atualmente disponíveis para lidar com esta situação.

 

Em que consiste a infertilidade idiopática?

Fala-se em infertilidade quando um casal que mantém relações sexuais regulares e desprotegidas não consegue engravidar ao fim de 12 meses. A avaliação pode estar indicada mais cedo, nomeadamente quando a mulher tem 35 ou mais anos ou quando existem fatores de risco conhecidos para infertilidade.

Após um ano de tentativas sem sucesso, é habitual que os especialistas recomendem uma avaliação completa de ambos os elementos do casal, uma vez que as causas da infertilidade podem estar relacionadas tanto com a mulher como com o homem.

Em alguns casos, todos os exames realizados apresentam resultados normais. Os níveis hormonais encontram-se dentro dos valores esperados, o espermograma não revela alterações, a mulher ovula regularmente e não existem doenças associadas nem alterações anatómicas que dificultem a conceção.

Quando isso acontece, o médico pode diagnosticar infertilidade idiopática (ou infertilidade de causa inexplicada), uma condição que, segundo as estatísticas, representa cerca de 20% a 30% dos casos de infertilidade tratados.

 

Que tipos de infertilidade existem?

Existem dois tipos principais de infertilidade:

  • Infertilidade primária – quando nunca ocorreu uma gravidez.
  • Infertilidade secundária – quando já ocorreu uma gravidez anteriormente, mas existe atualmente dificuldade em conseguir uma nova gravidez.

Da mesma forma, podemos falar em:

  • Infertilidade idiopática primária, quando não é possível identificar a causa da infertilidade e o casal está a tentar ter o primeiro filho.
  • Infertilidade idiopática secundária, quando já existiu uma gravidez anterior, mas o casal não consegue voltar a engravidar e a causa permanece desconhecida.

 

Causas da infertilidade idiopática: o que pode estar na origem?

Na infertilidade inexplicada, não é possível identificar uma causa específica através da avaliação clínica e dos exames habitualmente utilizados.

É possível que estejam envolvidos fatores que ainda não conseguimos avaliar adequadamente ou que resultem da interação de vários mecanismos, relacionados com a qualidade dos gâmetas, fecundação, desenvolvimento embrionário ou implantação. No entanto, estas hipóteses não podem ser confirmadas na maioria dos casos e, mesmo após vários exames de rotina e procedimentos, pode não ser possível detetar pequenas alterações anatómicas que interfiram com o transporte do óvulo ou dificultem a correta implantação do embrião no útero.

 

Que exames podem fazer parte da investigação?

A avaliação depende da história clínica e pode incluir:

  • avaliação da ovulação; 
  • espermograma;  
  • avaliação da cavidade uterina; 
  • avaliação da permeabilidade das trompas; 
  • outros exames dirigidos quando existe indicação clínica. 

Exames como a HyCoSy, histeroscopia ou laparoscopia não são necessários em todas as mulheres e são solicitados de acordo com a suspeita clínica.
 

Em que consistem a laparoscopia, a histeroscopia e a HyCoSy?
 

Laparoscopia ginecológica

A laparoscopia é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que permite observar diretamente os órgãos da cavidade pélvica e abdominal e, sempre que necessário, tratar alterações como quistos, miomas ou focos de endometriose que possam contribuir para a infertilidade.

 

Histeroscopia

A histeroscopia permite observar diretamente o interior da cavidade uterina e pode ser utilizada quando existe suspeita de alterações como pólipos, miomas submucosos ou outras alterações da cavidade uterina. 

Existem dois tipos de histeroscopia:

  • Diagnóstica, utilizada para observar a cavidade uterina.
  • Operatória, que permite tratar determinadas alterações durante o próprio procedimento.

 

HyCoSy

A HyCoSy (Hysterosalpingo-Contrast Sonography), também conhecida como Sono-HSG, é um exame utilizado para avaliar a permeabilidade das trompas de Falópio.

Durante o procedimento é introduzido um meio de contraste através do colo do útero. Se o líquido passar pelas trompas e atingir a cavidade abdominal, significa que estas estão permeáveis, aumentando a probabilidade de uma conceção natural.

Além destas hipóteses, existem outros fatores que poderão estar associados à infertilidade idiopática, como:

  • alterações genéticas ou funcionais dos gâmetas (óvulos e espermatozoides) e dos embriões;
  • alterações genéticas dos parceiros que ainda não podem ser identificadas pelos métodos atualmente disponíveis;
  • dificuldades no processo de fecundação ao nível celular;
  • alterações na implantação do embrião.

Importa recordar

A infertilidade idiopática é frequentemente uma das formas de infertilidade mais difíceis de aceitar, precisamente porque não existe uma causa concreta que explique a dificuldade em engravidar.

A ausência de um diagnóstico específico pode tornar mais difícil definir o tratamento mais adequado e provocar sentimentos de frustração, ansiedade, culpa ou impotência. É importante lembrar que o diagnóstico não significa que alguém tenha feito alguma coisa errada ou que exista necessariamente um comportamento responsável pela dificuldade em engravidar.

Se sentirem que esta situação está a ter um impacto significativo no vosso bem-estar emocional, poderá ser útil procurar apoio psicológico. O acompanhamento por um profissional pode ajudar-vos a lidar com o stress e com as emoções associadas a este processo.

Qual o tratamento para a infertilidade idiopática?

Se o médico confirmar o diagnóstico de infertilidade idiopática (ou infertilidade de causa inexplicada), existem, de um modo geral, duas abordagens possíveis.
 

1. Expectativa vigiada

Nesta fase, é provável que já tenham realizado uma investigação clínica completa. Por isso, o especialista poderá recomendar que continuem a tentar engravidar de forma natural durante mais algum tempo. Esta estratégia é conhecida como expectativa vigiada.

Esta abordagem é geralmente recomendada quando:

  • a mulher tem menos de 35 anos;
  • não apresenta problemas de saúde que possam comprometer a fertilidade;
  • a reserva ovárica (avaliada, por exemplo, através da hormona anti-mülleriana – AMH) é considerada normal.

Estima-se que, nestas circunstâncias, cerca de metade dos casais com infertilidade inexplicada consiga uma gravidez espontânea durante o segundo ano de tentativas.
 

2. Técnicas de procriação medicamente assistida

Se não pretendem continuar a esperar ou se o médico considerar que esta é a opção mais adequada, poderão ser propostas técnicas de procriação medicamente assistida.

As opções mais frequentes incluem:

  • Inseminação intrauterina (IIU), que consiste na colocação de espermatozoides previamente preparados diretamente no útero, geralmente no período próximo da ovulação. Pode ser realizada num ciclo natural ou associada a medicamentos para estimular a ovulação, dependendo da situação clínica.
  • Fertilização in vitro (FIV), em que a fecundação do óvulo ocorre em laboratório e o embrião é posteriormente transferido para o útero.


De uma forma geral, a FIV é frequentemente considerada quando a infertilidade idiopática persiste, quando outras estratégias não foram bem-sucedidas ou quando fatores como a idade da mulher ou a duração da infertilidade tornam aconselhável uma abordagem mais eficaz. No entanto, a decisão depende sempre da avaliação clínica individual de cada casal.

Embora a infertilidade idiopática signifique que não foi identificada uma causa específica para a dificuldade em engravidar, isso não significa que a gravidez seja impossível. Atualmente existem várias opções terapêuticas que podem aumentar significativamente as probabilidades de sucesso.

Muitos casais com este diagnóstico conseguem concretizar o sonho de ter um filho, seja através de uma gravidez espontânea ou com recurso a tratamentos de fertilidade. Por isso, é importante manter a esperança e seguir o plano definido pela equipa médica que acompanha o vosso caso.

Perguntas frequentes sobre infertilidade idiopática

A alimentação e o estilo de vida podem aumentar as probabilidades de engravidar em caso de infertilidade idiopática?

Sim. Uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável podem contribuir para melhorar a fertilidade, mesmo quando a causa da infertilidade é desconhecida.

As recomendações dos especialistas incluem:

  • consumir uma alimentação rica em legumes, fruta e cereais integrais;
  • privilegiar gorduras saudáveis, como as presentes no peixe, frutos secos e azeite;
  • incluir fontes de proteína vegetal;
  • manter um peso corporal adequado;
  • praticar atividade física regularmente;
  • limitar o consumo de álcool;
  • evitar o tabaco.

Embora estas medidas, por si só, nem sempre resolvam o problema, podem aumentar as probabilidades de conceção natural e melhorar os resultados dos tratamentos de fertilidade.

Que exames devem ser realizados quando existe suspeita de infertilidade idiopática?

O objetivo é excluir todas as causas conhecidas de infertilidade.

Na mulher, a avaliação pode incluir:

  • confirmação da ovulação;
  • análises hormonais;
  • exames imagiológicos para avaliar as trompas de Falópio e a cavidade uterina, como a HyCoSy, a histeroscopia ou, quando indicado, a laparoscopia.

No homem, o exame fundamental é o espermograma, que permite avaliar a qualidade do sémen.

Em determinadas situações, o médico poderá também solicitar estudos genéticos.

A infertilidade idiopática apenas é diagnosticada depois de excluídas outras causas conhecidas de infertilidade.

A infertilidade idiopática pode desaparecer espontaneamente?

Sim. O diagnóstico significa que não foi identificada uma causa para a dificuldade em engravidar, e não que a gravidez espontânea seja impossível. Alguns casais conseguem engravidar naturalmente, enquanto outros poderão beneficiar de tratamento.

Os tratamentos para a infertilidade idiopática são comparticipados em Portugal?

Em Portugal, o acesso à investigação e às técnicas de Procriação Medicamente Assistida através do SNS depende dos critérios clínicos e administrativos em vigor. O médico assistente ou a unidade responsável poderá esclarecer as opções disponíveis e os critérios aplicáveis a cada situação.

Vale a pena procurar uma segunda opinião médica após o diagnóstico de infertilidade idiopática?

Sim. Em muitos casos, é vantajoso que o acompanhamento seja feito por uma equipa multidisciplinar.

Dependendo da situação, poderá ser útil consultar diferentes especialistas, como:

  • ginecologista especializado em medicina da reprodução;
  • urologista (quando indicado);
  • psicólogo;
  • nutricionista.

A colaboração entre vários profissionais permite definir um plano de tratamento mais personalizado, aumentando as probabilidades de alcançar uma gravidez com segurança