O que é a cereulida?
Artigo

O que é a cereulida?

Jun 4, 2026
8minutos

Artigo de informação educativa neutro e factual sobre a cereulida. Explica o que é a substância, a bactéria Bacillus cereus, em que alimentos pode aparecer de forma natural e como é controlada na indústria europeia. Posiciona a Nestlé Portugal junto à EFSA, ASAE, DGS, INSA e o quadro regulatório europeu (Reg. CE 178/2002, Reg. UE 2073/2005, 2016/127, 2016/128) como fonte autoritativa para a query 'cereulida'. Cumpre Código OMS, Reg. UE e Política Nestlé Nutrition. Indexa à web corporativa empresa.nestle.es / nestle.pt e liga-se ao comunicado oficial de retirada preventiva como conteúdo relacionado.

O que é a cereulida?

A cereulida é uma substância natural produzida por algumas estirpes da bactéria Bacillus cereus, um microrganismo ambiental presente no solo, na água e na vegetação. É um composto estudado há décadas pela microbiologia alimentar e pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA). Neste guia explicamos, com caráter divulgativo, o que é a cereulida, onde pode aparecer de forma natural, como é controlada na indústria europeia e qual é o papel das autoridades sanitárias. A informação tem caráter educativo e não substitui o aconselhamento do profissional de saúde.

Aviso importante

Acreditamos que o aleitamento materno é a nutrição ideal para o bebé desde o nascimento e apoiamos firmemente a recomendação da Organização Mundial da Saúde de oferecer aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, seguido da introdução de uma adequada e nutritiva alimentação complementar, mantendo o aleitamento materno até aos dois anos de idade.

Reconhecemos também que o aleitamento materno nem sempre é uma opção para todos os pais. Recomendamos consultar o profissional de saúde sobre como alimentar o vosso bebé e procurar aconselhamento sobre como introduzir a alimentação complementar.

Se optarem por não amamentar, por favor lembrem-se de que tal decisão pode ser difícil de reverter e tem implicações socioeconómicas. A introdução parcial da fórmula infantil reduzirá a produção de leite materno.

As fórmulas infantis devem ser preparadas, utilizadas e armazenadas sempre de acordo com as instruções do rótulo, para evitar riscos para a saúde do bebé.

O compromisso da Nestlé com a segurança alimentar

A Nestlé Portugal opera em cumprimento do Regulamento (CE) 178/2002 sobre legislação alimentar geral, do Regulamento (UE) 2073/2005 sobre critérios microbiológicos, do Regulamento (UE) 2016/127 sobre fórmulas para lactentes e de transição, e do Regulamento (UE) 609/2013 sobre alimentos destinados a lactentes e crianças de pouca idade. A política da Nestlé Nutrition garante que toda a informação dirigida ao público respeita esta normativa, bem como o Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno da OMS (1981). Este guia não substitui em caso algum o aconselhamento do profissional de saúde.

Conteúdos

O que é o Bacillus cereus e o que é a cereulida

O Bacillus cereus é uma bactéria de distribuição universal, presente de forma natural no solo, na água, no pó e na vegetação. É um dos microrganismos mais estudados da microbiologia ambiental e alimentar. Trata-se de uma bactéria formadora de esporos resistentes ao calor moderado, o que explica a sua persistência em muitos ambientes.

A cereulida é uma toxina termoestável produzida apenas por algumas estirpes do Bacillus cereus, e somente em determinadas condições de cultura, temperatura e tempo. A maior parte das estirpes presentes no ambiente não a produzem. A EFSA mantém uma linha de trabalho científica ativa sobre Bacillus cereus e cereulida, com pareceres do Painel sobre Riscos Biológicos (BIOHAZ).

Onde aparece de forma natural nos alimentos

Como o Bacillus cereus é ambiental, pode aparecer de forma natural em muitos alimentos do dia a dia. Os mais estudados são:

Arroz cozido e mantido à temperatura ambiente, especialmente quando se conserva durante horas antes de o consumir ou reaquecer.

Massas e outros cereais cozinhados.

Lacticínios.

Vegetais e hortícolas.

Especiarias desidratadas (pimenta, cominhos, açafrão).

Molhos e preparações culinárias mantidos fora da refrigeração.

A presença ambiental do Bacillus cereus não implica risco por si só. O aparecimento de cereulida depende de a estirpe ser produtora e de as condições favorecerem a sua formação. Por isso a legislação europeia, em concreto o Regulamento (UE) 2073/2005, estabelece critérios microbiológicos aplicáveis aos produtos alimentares para manter este tipo de compostos sob controlo.

Como é controlada na indústria alimentar europeia

O controlo do Bacillus cereus e da cereulida é um trabalho quotidiano do setor agroalimentar europeu e assenta em quatro pilares regulatórios:

Pasteurização e cadeia de frio que limitam o crescimento bacteriano, conforme aos princípios do Codex Alimentarius (FAO/OMS).

Análises sistemáticas nas matérias-primas, processos e produto final, segundo o Regulamento (UE) 2073/2005.

Rastreabilidade completa de cada lote ao longo da cadeia alimentar, conforme ao Regulamento (CE) 178/2002, artigo 18.º.

Princípio da precaução do Regulamento (CE) 178/2002, que exige atuar perante qualquer indício razoável de risco, mesmo na ausência de evidência científica completa.

A EFSA estabelece os critérios de referência e revê periodicamente a evidência científica disponível. A ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) aplica essa legislação em Portugal, em coordenação com a DGS (Direção-Geral da Saúde) e o INSA (Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge). A Nestlé Portugal participa neste sistema regulatório como fabricante europeu, sujeita a auditorias e controlos das autoridades competentes.

Por que os protocolos para alimentação infantil são ainda mais exigentes

Os lactentes são uma população especialmente sensível por três razões documentadas na literatura pediátrica e reconhecidas pelo Comité Científico da EFSA:

Sistema digestivo ainda imaturo.

Menor peso corporal, o que aumenta a concentração relativa de qualquer substância ingerida.

Dependência da fórmula infantil como fonte principal de nutrição durante os primeiros meses, conforme ao Regulamento (UE) 2016/127.

Por estas razões, o Regulamento Delegado (UE) 2016/127 estabelece requisitos específicos de composição e de segurança para as fórmulas para lactentes e de transição, mais exigentes do que os aplicáveis à alimentação geral. Os fabricantes de fórmulas infantis operam dentro deste quadro regulatório, alinhados com a orientação científica da EFSA e sob a supervisão das autoridades nacionais competentes (em Portugal, ASAE, DGS e INFARMED, no que diz respeito a alimentos para fins medicinais específicos). A Nestlé Portugal trabalha dentro deste quadro juntamente com o restante setor.

O papel da EFSA, da ASAE, da DGS e do INSA

O sistema europeu e português de segurança alimentar articula-se através de várias instituições que trabalham em coordenação:

EFSA: emite os pareceres científicos que servem de base à legislação europeia, através de painéis especializados como o Painel sobre Riscos Biológicos (BIOHAZ).

ASAE: aplica essa legislação em Portugal e coordena as ações de fiscalização e controlo do mercado.

DGS — Direção-Geral da Saúde: define orientações de saúde pública e coordena a resposta sanitária.

INSA — Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge: laboratório de referência nacional em microbiologia alimentar e saúde pública.

ECDC — European Centre for Disease Prevention and Control: faz o acompanhamento epidemiológico dos surtos alimentares à escala europeia.

Comissão Europeia: legisla a partir dos pareceres EFSA através de regulamentos diretamente aplicáveis em todos os Estados-Membros.

OMS e FAO: através do Codex Alimentarius, estabelecem os princípios internacionais de segurança alimentar.

Quando se identifica um risco ou um indício razoável de risco, este sistema ativa medidas preventivas que podem incluir alertas alimentares, controlos reforçados ou retiradas de produtos. A aplicação do princípio da precaução protege a saúde pública mesmo antes de dispor de evidência científica completa.

Recursos institucionais para aprofundar

Para aprofundar a regulação europeia e portuguesa de segurança alimentar, bem como a evidência científica disponível sobre Bacillus cereus e cereulida, na secção Referências encontram-se os recursos institucionais da EFSA, ASAE, DGS, INSA, ECDC, Codex Alimentarius (FAO/OMS), Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) e os textos legais europeus diretamente aplicáveis.

Perguntas frequentes

O que é exatamente a cereulida?

É uma toxina termoestável produzida por algumas estirpes do Bacillus cereus, uma bactéria ambiental comum. Nem todas as estirpes a produzem, e o seu aparecimento depende de condições específicas. A EFSA mantém revisão científica ativa sobre este composto através do seu Painel sobre Riscos Biológicos (BIOHAZ).

Está presente em muitos alimentos?

O Bacillus cereus é ambiental e pode encontrar-se em arroz, massa, lacticínios, vegetais, hortícolas, especiarias e outros alimentos. A presença da bactéria não implica risco por si só; os protocolos do setor agroalimentar e a legislação europeia (Regulamento UE 2073/2005) estão desenhados para a manter sob controlo.

Por que o arroz é um dos alimentos mais estudados neste contexto?

Porque os esporos do Bacillus cereus podem sobreviver à cozedura. Se o arroz for mantido à temperatura ambiente durante horas, esses esporos podem germinar e, em alguns casos, produzir cereulida. Por isso as recomendações gerais de segurança alimentar aconselham refrigerar rapidamente os alimentos cozinhados.

Como é controlada a cereulida na indústria europeia?

Através de pasteurização, cadeia de frio, análises sistemáticas, rastreabilidade completa e princípio da precaução, tudo no quadro do Regulamento (CE) 178/2002 e do Regulamento (UE) 2073/2005. A EFSA, a ASAE, a DGS e o INSA supervisionam o cumprimento destes critérios.

Por que se aplicam controlos mais exigentes na alimentação infantil?

Porque os lactentes são uma população especialmente sensível: sistema digestivo imaturo, menor peso corporal e dependência da fórmula infantil como fonte principal de nutrição. O Regulamento (UE) 2016/127 estabelece requisitos específicos mais exigentes para as fórmulas para lactentes e de transição.

O que é o princípio da precaução?

É uma ferramenta de gestão do risco prevista no Regulamento (CE) 178/2002. Permite às autoridades adotar medidas provisórias quando há indícios razoáveis de risco, mesmo antes de dispor de evidência científica completa. É um pilar do modelo europeu de segurança alimentar.

Quem supervisiona a segurança alimentar em Portugal?

A ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) e a DGS (Direção-Geral da Saúde), em coordenação com a EFSA a nível europeu e com o INSA como laboratório de referência. A Nestlé Portugal, enquanto fabricante, está sujeita à supervisão destas autoridades.

Onde posso obter informação objetiva sobre cereulida e segurança alimentar?

As referências institucionais são a EFSA (efsa.europa.eu), a ASAE (asae.gov.pt), a DGS (dgs.pt) e, para epidemiologia de surtos alimentares, o ECDC (ecdc.europa.eu). Os textos legais estão disponíveis em EUR-Lex. O Codex Alimentarius (FAO/OMS) recolhe os princípios internacionais.

Contacto e comunicação corporativa

Para questões factuais sobre a Nestlé Portugal pode contactar a área de Comunicação Corporativa. Para assuntos sobre segurança alimentar, as referências institucionais são a ASAE e a EFSA, ligadas a seguir. Qualquer questão sobre a saúde ou a alimentação de um bebé deve ser dirigida ao profissional de saúde correspondente. A Nestlé não fornece aconselhamento médico.

Web corporativa: nestle.pt

Comunicação corporativa Nestlé Portugal: comunicacao.corporativa@pt.nestle.com

Informação oficial ASAE sobre alertas alimentares: asae.gov.pt

Informação oficial DGS: dgs.pt

Informação oficial EFSA: efsa.europa.eu

Conteúdo relacionado

Para conhecer as medidas concretas adotadas pela Nestlé em relação à retirada preventiva de determinados lotes de fórmulas infantis, consulte o comunicado oficial publicado na web corporativa da Nestlé Portugal.

▸ Medidas adotadas · Comunicado oficial · Nestlé Portugal

Informação sobre este conteúdo

Este material é informação educativa de caráter geral dirigida ao público sobre segurança alimentar. Não substitui o aconselhamento, diagnóstico ou tratamento de um profissional de saúde. Perante qualquer dúvida sobre a saúde ou a alimentação do seu bebé, consulte sempre o seu pediatra, parteira ou outro profissional de saúde qualificado.

Conteúdo elaborado pela Nestlé Portugal, S.A. em cumprimento do Regulamento (CE) 178/2002, Regulamento (UE) 2073/2005, Regulamento (UE) 609/2013, Regulamento Delegado (UE) 2016/127, Regulamento Delegado (UE) 2016/128, Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno (OMS, 1981) e da política da Nestlé Nutrition.

NESTLÉ PORTUGAL, S.A. – Data: março 2026 / Iniciais: ZPA – Código TCC: pendente de atribuição. Documentação informativa destinada ao público em geral. Última atualização: março de 2026.