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Quando é necessário dar suplementos de Vitamina D às crianças?

Nov 3, 2026
5minutos

Saiba quando as crianças necessitam de suplementos de vitamina D, porque esta vitamina é tão importante para o crescimento e desenvolvimento saudáveis e como prevenir a sua deficiência. Descubra as principais recomendações para bebés e crianças mais velhas.

Autor(es): M. Luz Couce Pico, Diretora do Serviço de Neonatologia do Hospital Clínico Universitário de Santiago de Compostela (Corunha, Espanha)

Vitamina D

A vitamina D é um nutriente que pode ser obtido através da alimentação ou sintetizado pelo nosso organismo quando a pele é exposta à luz solar. É essencial para a saúde óssea e a sua deficiência nas crianças pode levar ao aparecimento de raquitismo. Além disso, tem sido demonstrado que a vitamina D desempenha um papel protetor contra doenças autoimunes, infeciosas e cardiovasculares. Por esse motivo, manter níveis adequados de vitamina D é fundamental ao longo de toda a vida, incluindo na idade adulta.

Apesar dos seus benefícios, a deficiência de vitamina D é uma das carências nutricionais mais comuns e frequentemente subdiagnosticada. Estima-se que, ao longo de um ano, cerca de 20% dos adultos e entre 8% e 24% das crianças possam apresentar níveis insuficientes de vitamina D. Algumas entidades, como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos, consideram que a ingestão de vitamina D nas crianças mais pequenas se encontra abaixo dos valores nutricionais recomendados. Assim, garantir uma ingestão adequada de vitamina D é essencial.

 

As mães que amamentam devem tomar suplementos de vitamina D?

A suplementação diária com vitamina D não é geralmente recomendada para as mães que amamentam. Em vez disso, é essencial fornecer educação nutricional adequada durante a amamentação.

Também não é habitualmente necessário testar os níveis de vitamina D, embora essa avaliação possa ser recomendada para mulheres grávidas com elevado risco de deficiência. Estas podem incluir mulheres com pele mais escura, que seguem uma dieta vegan, com baixa exposição solar, com antecedentes de terem tido um bebé com raquitismo ou que apresentam obesidade.

No entanto, algumas instituições, como o National Institute for Health and Care Excellence (NICE), no Reino Unido, recomendam a suplementação com vitamina D (400-600 UI/dia) para todas as mulheres grávidas e a amamentar nas suas orientações clínicas. Atualmente, também se compreende que as necessidades diárias de vitamina D das mães que amamentam podem ser muito mais elevadas do que se pensava anteriormente, particularmente para satisfazer as necessidades dos seus recém-nascidos. Por isso, os suplementos são recomendados para estes bebés, conforme explicado abaixo.

 

Quando devem os bebés receber suplementos de vitamina D?

Recomenda-se que os bebés amamentados recebam um suplemento de vitamina D de 400 UI/dia durante o primeiro ano de vida, começando nos primeiros dias após o nascimento. Os leites para lactentes (substitutos do leite materno) são normalmente enriquecidos com vitamina D, o que reduz o risco de deficiência nos bebés alimentados a biberão. No entanto, continua a ser aconselhado que estes bebés recebam 400 UI/dia de vitamina D, exceto se consumirem 1 litro por dia de fórmula enriquecida.

Uma vez que o leite de vaca contém níveis mais baixos de vitamina D, a deficiência é mais comum nos bebés que o consomem. Para estes bebés, os suplementos são especialmente recomendados durante o primeiro ano de vida, sendo frequentemente necessária a continuação da suplementação para além dessa idade.

Os bebés prematuros, devido à transferência materna insuficiente de vitamina D, às dificuldades de alimentação e aos problemas gastrointestinais que comprometem a absorção de nutrientes, também devem receber suplementação com vitamina D durante o primeiro ano de vida.

Para crianças com mais de um ano de idade, recomenda-se geralmente uma exposição solar sem proteção durante 10 a 15 minutos por dia na primavera, verão e outono, para apoiar a produção de vitamina D. No entanto, é importante considerar os efeitos nocivos cumulativos dos raios ultravioleta (UV) ao longo da vida, o que torna crucial a ingestão alimentar de vitamina D para prevenir a deficiência. Recomenda-se uma ingestão diária de 400 UI de vitamina D para crianças com mais de um ano de idade quando a exposição solar é reduzida ou inexistente.

 

Porque não se deve tomar demasiada vitamina D?

A vitamina D é lipossolúvel, o que significa que se acumula no organismo. Embora seja raro, o consumo excessivo pode levar à hipervitaminose D, uma condição que pode causar efeitos prejudiciais. A principal consequência é a acumulação de cálcio no sangue (hipercalcemia) e o aumento da sua excreção na urina (hipercalciúria), o que pode provocar sintomas como náuseas, vómitos e fraqueza muscular. Se não for tratada, esta condição pode causar dores ósseas e problemas renais, incluindo a formação de cálculos renais ou até complicações mais graves.

 

Pontos-chave a recordar:

- A vitamina D pode ser sintetizada pelo organismo quando a pele é exposta à luz solar ou obtida através da alimentação e de suplementos. No entanto, a utilização de protetor solar pode impedir a produção de vitamina D pela pele.
- A vitamina D é essencial para a saúde óssea e também ajuda a proteger contra várias doenças crónicas, como a diabetes tipo 1 e a asma.
- O primeiro ano de vida é um período crítico para a mineralização óssea. No entanto, a exposição solar não é recomendada durante esta fase, o que aumenta o risco de deficiência de vitamina D.
- Durante o primeiro ano de vida, as melhores formas de prevenir a deficiência de vitamina D são a suplementação ou a utilização de fórmulas infantis enriquecidas com vitamina D.