Mãe com bebé ao colo junto a uma janela, a olhar para ele com calma. Luz natural suave, tom científico acessível. Sem biberão nem produto visível, sem logótipos.

O que são os HMOs e o que diz a ciência sobre eles nas fórmulas infantis

Set 29, 2026
6minutos

Um guia claro para famílias: o que são os oligossacáridos do leite materno, porque se fala tanto deles e o que sabemos hoje sobre a sua presença em algumas fórmulas infantis.

Aviso importante

Acreditamos que o aleitamento materno é a nutrição ideal para o bebé desde o nascimento e apoiamos firmemente a recomendação da Organização Mundial da Saúde de oferecer aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, seguido da introdução de uma alimentação complementar adequada e nutritiva, mantendo o aleitamento materno até aos dois anos de idade. Reconhecemos também que o aleitamento materno nem sempre é uma opção para todos os pais. Recomendamos consultar o profissional de saúde sobre como alimentar o seu bebé e procurar aconselhamento sobre como introduzir a alimentação complementar. Se decidir não amamentar, recorde que essa decisão pode ser difícil de reverter e tem implicações socioeconómicas. A introdução de fórmula infantil reduzirá parcialmente a produção de leite. As fórmulas infantis devem ser sempre preparadas, utilizadas e armazenadas de acordo com as instruções do rótulo, para evitar riscos para a saúde do bebé.

O compromisso da Nestlé com o aleitamento materno

A Nestlé apoia o aleitamento materno como a nutrição ideal do bebé e subscreve integralmente o Código Internacional de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno da OMS. A Política da Nestlé Nutrition Portugal garante que toda a informação que disponibilizamos ao público respeita o Regulamento (UE) 609/2013 e os Regulamentos Delegados (UE) 2016/127 e 2016/128. Este guia não substitui, em caso algum, o aconselhamento do profissional de saúde.

Conteúdo

O que são os HMOs, explicado de forma simples

Os HMOs (sigla inglesa de oligossacáridos do leite humano) são um tipo de açúcares complexos presentes de forma natural no leite materno. De facto, são o terceiro componente sólido mais abundante, logo a seguir à lactose e às gorduras. Cada HMO forma-se a partir de cinco blocos básicos — glucose, galactose, N-acetilglucosamina, fucose e ácido siálico — combinados de muitas formas distintas.

Têm uma particularidade: o bebé não os digere como fonte de energia. Em vez disso, chegam quase intactos ao intestino, onde a ciência estuda o seu papel no desenvolvimento da microbiota (o conjunto de bactérias que habitam no sistema digestivo). São, aliás, tão resistentes que aguentam o calor, o frio e processos como a pasteurização ou a congelação.

Quantos existem? Segundo a investigação científica recolhida por sociedades como a ESPGHAN, até à data foram identificados mais de 200 HMOs estruturalmente distintos no leite humano. A sua concentração total situa-se nos 10–15 gramas por litro no leite maduro, e é ainda mais alta no colostro (os primeiros dias após o parto). O mais abundante de todos é geralmente o chamado 2'-FL (2'-fucosil-lactose).

O leite materno contém uma grande variedade destes oligossacáridos, e a sua composição não é fixa: muda de mãe para mãe e ao longo da amamentação. Essa variação depende em parte da genética de cada mãe, pelo que nem todas as mulheres produzem exatamente os mesmos HMOs nem nas mesmas quantidades.

Porque é que o leite materno é a referência

O leite materno é o alimento ideal para o bebé durante os primeiros seis meses de vida, segundo a Organização Mundial da Saúde. Nenhum outro alimento reproduz a sua composição completa: é uma mistura viva e complexa que nenhuma fórmula iguala. Quando se fala de HMOs em fórmulas infantis, não se está a dizer que a fórmula seja equivalente ao leite materno. Trata-se de mais um ingrediente dentro de um produto que só deve ser utilizado, sob aconselhamento do profissional de saúde, quando o aleitamento materno não é possível ou é insuficiente.

O que se sabe sobre os HMOs nas fórmulas infantis

Durante muito tempo, as fórmulas infantis — elaboradas a partir de leite de vaca — praticamente não continham HMOs, porque o leite de outros mamíferos tem quantidades muito pequenas destes oligossacáridos. Os avanços na biotecnologia permitiram produzir alguns HMOs concretos que são estruturalmente idênticos a determinados oligossacáridos presentes de forma natural no leite humano. Para os distinguir com precisão, algumas sociedades científicas propõem chamar-lhes «análogos de HMO», já que não se extraem do leite materno, mas são fabricados.

Na União Europeia, a incorporação destes ingredientes nas fórmulas está regulada: cada HMO tem de passar uma avaliação de segurança. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) avaliou vários deles — como o 2'-FL e o LNnT — e a Comissão Europeia autorizou-os como novos alimentos. Convém saber, além disso, que até à data a EFSA não concedeu qualquer alegação de propriedades saudáveis («health claim») para os oligossacáridos adicionados a fórmulas infantis.

Quanto ao seu uso, as sociedades científicas pediátricas reviram a evidência disponível. A ESPGHAN (Sociedade Europeia de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica) conclui que as fórmulas suplementadas com os ingredientes deste tipo avaliados até agora, administradas a lactentes saudáveis, não levantam problemas de segurança quanto ao crescimento, à tolerância ou aos efeitos adversos. Ou seja: são seguras e bem toleradas.

O que ainda NÃO sabemos

Aqui convém ser honesto, porque é o mais útil para uma família. A ciência sobre os HMOs é um campo muito ativo e ainda há perguntas em aberto. A própria ESPGHAN assinala que, pela diversidade de estudos, doses e desenhos, ainda não se podem tirar conclusões firmes sobre os seus benefícios clínicos, e não faz uma recomendação específica nem a favor nem contra o seu uso rotineiro.

O que significa isto para si? Que os HMOs são um ingrediente seguro e relevante do ponto de vista científico, mas que convém desconfiar de qualquer mensagem — num rótulo, num anúncio ou na internet . O leite materno continua a ser a referência, e as afirmações categóricas sobre resultados de saúde não estão fundamentadas.

Como tomar a decisão com o seu pediatra

Se se questiona sobre qual a fórmula adequada para o seu bebé, o melhor guia é sempre o seu pediatra ou o seu enfermeiro de saúde infantil, que conhece o caso concreto do seu filho ou filha. Nenhuma informação geral — esta também não — substitui essa avaliação individual. Se tiver dúvidas sobre os ingredientes que vê num rótulo, anote-as e fale sobre elas na próxima consulta: é a forma mais segura de decidir com critério.

Perguntas frequentes

O que são os HMOs nas fórmulas infantis?

Os HMOs (oligossacáridos do leite humano) são açúcares complexos presentes de forma natural no leite materno, onde são o terceiro componente sólido mais abundante. Alguns são hoje produzidos por biotecnologia para serem adicionados a certas fórmulas infantis, onde são estruturalmente idênticos aos do leite humano.

Os HMOs das fórmulas são o mesmo que os do leite materno?

Alguns HMOs concretos das fórmulas são estruturalmente idênticos a moléculas do leite humano. Mas o leite materno contém uma mistura muito mais complexa — mais de 200 HMOs diferentes — que nenhuma fórmula reproduz por completo.

Quantos HMOs existem no leite materno?

Segundo a literatura científica, foram identificados mais de 200 HMOs estruturalmente distintos. A sua concentração total no leite maduro situa-se nos 10–15 gramas por litro, e o mais abundante é geralmente o 2'-FL.

Porque é que nem todas as mães produzem os mesmos HMOs?

Porque a sua produção depende em parte da genética de cada mãe. Por isso a composição de HMOs varia de mulher para mulher e também ao longo da amamentação.

Uma fórmula com HMOs é melhor do que outra sem eles?

Não existe uma resposta única. As sociedades científicas consideram estes ingredientes seguros e bem tolerados, mas não confirmaram benefícios clínicos conclusivos. Cada bebé é diferente e a escolha deve ser feita com o profissional de saúde.

Os HMOs substituem o aleitamento materno?

Não. O leite materno continua a ser a nutrição de referência e nenhuma fórmula o iguala.

Referências

Organização Mundial da Saúde (OMS). Aleitamento materno. who.int/health-topics/breastfeeding

Direção-Geral da Saúde (DGS). Alimentação saudável dos 0 aos 6 anos. alimentacaosaudavel.dgs.pt

Dinleyici EC et al. Recommendations on the health outcomes of infant formula supplemented with biotics. ESPGHAN Special Interest Group on Gut Microbiota and Modifications. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2026;82:289–304. doi:10.1002/jpn3.70195

Szajewska H. HMOs supplementation: where we are today. The Nest 52. Nestlé Nutrition Institute, 2023.

Salminen S et al. Infant formula supplemented with biotics. Nutrients. 2020;12(7):1952. doi:10.3390/nu12071952

EFSA NDA Panel. Safety of 2'-O-fucosyllactose as a novel food. EFSA Journal. 2015;13(7):4184. doi:10.2903/j.efsa.2015.4184

Regulamento (UE) 2015/2283 sobre novos alimentos e Regulamento de Execução (UE) 2017/2470 (Lista da União).

Regulamento Delegado (UE) 2016/127, que complementa o Regulamento (UE) 609/2013 (composição e rotulagem de fórmulas).

Conteúdo relacionado

  • Como entender o rótulo de uma fórmula infantil: ingredientes e para que servem
  • Quando o bebé precisa de uma alimentação especial: prematuridade, baixo peso e alergias
  • Como se escolhe uma fórmula infantil: um guia com critério para famílias
  • O leite materno e as fórmulas infantis

Contacto e serviço ao consumidor da Nestlé

Para qualquer questão, pode contactar o Serviço de Apoio ao Consumidor da Nestlé Portugal. Recorde que qualquer questão sobre a saúde ou a alimentação do seu bebé deve ser dirigida ao seu profissional de saúde. A Nestlé não fornece aconselhamento médico.

Telefone Nestlé Bebé: 800 201 937 (linha gratuita, das 08:30 às 20:30, de segunda a sábado, exceto feriados).

Web: www.nestlebebe.pt · Clube Bebé Nestlé

Para profissionais de saúde: Nestlé Nutrition Institute

Informação sobre este conteúdo

Este material é informação educativa de caráter geral dirigida ao público sobre alimentação infantil. Não substitui o aconselhamento, diagnóstico nem tratamento de um profissional de saúde. Perante qualquer dúvida sobre a saúde ou a alimentação do seu bebé, consulte sempre o seu pediatra, enfermeiro de saúde infantil ou outro profissional de saúde qualificado.

Conteúdo elaborado pela Nestlé Portugal em cumprimento do Regulamento (UE) 609/2013, Regulamento Delegado (UE) 2016/127, Regulamento Delegado (UE) 2016/128, Código Internacional de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno (OMS, 1981) e da Política da Nestlé Nutrition Portugal.

NESTLÉ PORTUGAL — Data: junho 2026 / Iniciais: ZPA —. Documentação informativa destinada ao público geral. Última atualização: junho de 2026.